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DIMENSÕES DA DOR

DIMENSÕES DA DOR

Etimologia da palavra dor, do Inglês Médio, do anglo-francês peine (dor, sofrimento), do latim poena (pena, punição), e do grego poin-e (pagamento, pena, recompensa). Dentro desta ótica dor como um castigo, associada a sofrimento, ao desprazer contínuo e mal estar agudo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a dor associada às neoplasias uma emergência médica mundial. Em oncologia, o relato e diário, sendo uma das queixas mais frequentes, e um dos fenômenos mais temidos e experimentados entre os pacientes oncológicos em todas as faixas etárias. Na terapêutica do tratamento oncológico a maior parte dos procedimentos de diagnóstico e tratamento são invasivos: radioterapia, quimioterapia, biópsias, retirada de parte de tecidos para análise, procedimentos cirúrgicos para retirada de massa tumoral, amputação de membros, entre outros. A experiência de dor crônica é impactante, e logo interfere em toda esfera emocional do paciente, merecendo atenção, estudos e investigações.

A natureza multidimensional da dor, em oncologia, é também referida através do conceito de Dor Total, proposto por Saunders, em 1967 (GUIMARÃES, 1999). Nesta proposição, admite-se que uma pessoa sofre pelas consequências emocionais, sociais e espirituais da exposição à experiência de dor. O conceito de Dor Total inclui a consideração de: a) aspectos físicos – danos teciduais, progressão da doença e/ou reação à radioterapia; b) aspectos psicológicos – mudança de humor, afeto, disposição geral, apatia, entre outros; c) aspectos sociais – convivência prejudicada com a família e outras pessoas relevantes,

isolamento social e desmotivação geral; d) aspectos espirituais – variações na relação dos indivíduos com suas crenças, princípios e valores, questionamentos quanto à fé e ao sentido da vida, sentimentos de desamparo e desesperança.

A dor, em geral, pode ser identificada quanto à: a) origem; b) intensidade; e c) localização (ARANTES, 2008). Quanto à origem, a dor pode ser induzida pela doença (quando há infiltração local ou metástase), induzida pelo tratamento (em função de procedimentos ou efeitos de quimioterapia, radioterapia e outros métodos) ou não relacionada com o câncer (quando o paciente também apresenta osteoartrite, neuropatia diabética, entre outras doenças).

No que se refere à intensidade, pode ser classificada como: aguda, quando sua

duração vai de minutos a algumas semanas, e decorre de lesões teciduais, processos inflamatórios ou moléstias (ex.: injeções, arranhões, períodos pós-operatórios e procedimentos médicos em geral); e crônica, que se caracteriza por uma duração de alguns

meses a vários anos, geralmente acompanha o processo da doença ou está associada a alguma lesão tratada (ex.: artrite reumatoide, dor fantasma, tumores em estágio avançado) (ARANTES, 2008; GUIMARÃES, 1999).

Finalmente, no que se refere à localização, a dor pode ser: a) somática, caracterizada como contínua e/ou latejante; localizada em partes específicas do corpo e controlável quando identificada a sua causa; b) episódica ou com cólicas, apresenta-se mal localizada e é provocada por extensão ou distensão de musculatura lisa visceral, isquemia ou irritação de mucosa ou serosa de vísceras; e c) neuropática, com queimação, pontadas e choque, podendo ser constante ou esporádica; geralmente associada a sensações como alodinia, hiperpatia, parestesia e hipoestesia, causadas por injúria neural, invasão tumoral de nervos, plexos, ou devido a eventos do tratamento. 

PRINCIPAIS ESCALAS DE MENSURAÇÃO DA DOR ONCOLÓGICA

As escalas de mensuração de dor são os instrumentos de avaliação mais válidos para aplicação, as escalas de dor dão subsídios para que os profissionais identifiquem as alterações presentes nos pacientes usando assim a intervenção rápida e adequada. De forma breve será apresentada as três principais escalas de mensuração de nível considerado de fácil entendimento, agilidade, aplicação e com maior índice de respostas positivas em sua aplicação. Para avaliar a intensidade da dor, existem várias escalas que podem ser utilizadas, dentre elas estão descritas a seguir.

 Escala visual -verbal numérica (EVN) 

Esta escala mensura a intensidade da algia que o indivíduo sente, em valores numéricos. O paciente nesta fase deve estar consciente, além de saber referir sua dor em uma escala de zero a dez, sendo que zero é “sem dor”, e dez “dor máxima imaginável” (Figura 1). Esta escala pode ser fixada ao paciente ou tornando simples para pessoas analfabetas e que têm dificuldades visuais. Fortunato et al. (2013) realizaram uma revisão bibliográfica no período entre 2008 e 2012, em pacientes de unidade de terapia intensiva e identificaram que esta escala é aplicável em pacientes que são orientados e com a capacidade cognitiva boa. 

Figura 1 – Escala visual/verbal numérica 

Fonte: Oliveira, Roque e Maia (2019).

Escala Visual Analógica (EVA)

É semelhante à EVN; mas, deve ter o contato visual do paciente diretamente com a escala, o paciente tem que ter a capacidade de sinalizar ao profissional da saúde, o grau que está a sua dor. Pode utilizar uma régua numérica com dez centímetros apresentada de 4 forma simples ou ter um apelo visual, com cores, porém é importante a percepção do paciente, para que ele entenda que uma “0” significa “sem dor” e “10” indica “dor máxima” conforme figura abaixo, segundo estudos realizados com pacientes de unidades de terapias intensiva, essa escala também exige que todo paciente esteja sempre orientado e com boa capacidade cognitiva e acuidade visual.

Figura 2 – Escala visual analógica

Fonte: Oliveira, Roque e Maia (2019) 

Escala Faces de Dor (EFD) 

Nesta escala, se avalia as expressões faciais que o paciente apresenta e reflete a intensidade da dor sentida. O paciente precisa ser orientado para indicar qual figura está relacionada com a dor sentida. Sendo de zero a cinco, sendo que zero é “sem dor”, e cinco é “dor insuportável”.

Figura 3 – Escala de faces de dor

Fonte: Oliveira, Roque e Maia (2019).

Psicóloga, especialista em Saúde Mental, atendimento a transtornos depressivos, transtornos do Comportamento, dependências químicas, adulto e Infantil e familiar. Especialista em atendimento a paciente oncológico,envolvendo toda esfera familiar. Responsável pela escrita e constituição dos Programas de Residências Medicas 2022/ 2023 CEONC – CASCAVEL.

Rubia Medino Conrado.

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