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Musicoterapia ajuda a vencer a ansiedade na pandemia

Redação Digitais Publicado em 20 de outubro de 2020  

Tratamento, que é oferecido pelo SUS, usa melodias para atingir centro do cérebro

 Por: Renata Germano

Ilustração: FreePik

Durante a pandemia, a prática da musicoterapia tem sido uma forma de diminuir a ansiedade e o estresse dos que adotam a prática. O método utiliza o canto, instrumentos musicais e ruídos para tratar distúrbios relacionados ao cérebro, aos sentidos e ao restabelecimento de funções físicas do corpo. Pessoas com o mal de Alzheimer, vítimas de acidente vascular cerebral e com depressão ou ansiedade, por exemplo, podem se beneficiar com o tratamento.

Douglas Cardoso, de 22 anos, é estudante de medicina, mora em Sumaré e realiza sessões musicoterapêuticas desde o ano passado. Com a pandemia, ele conta que se conectou ainda mais com a prática, para ajudar na diminuição da ansiedade durante os estudos: “Durante o dia, é muito difícil manter a calma. Para que eu possa me concentrar em todas as tarefas que eu preciso desenvolver, sinto que estar em sintonia com a música me ajuda”. Para isso, ele ouve uma seleção de músicas recomendadas por seu terapeuta durante as horas em que precisa estudar.

De acordo com Maira Camargo, musicoterapeuta que trabalha em Campinas, a melhora na saúde mental de pacientes vem pela atuação das melodias no centro de prazer do cérebro, liberando a dopamina, que promove a sensação de bem-estar. E, neste período conturbado, a musicoterapia pode também ser uma aliada para diminuir a irritabilidade: “Durante a quarentena todos nós buscamos nos presentear com coisas que nos dão prazer para enfrentar o momento. Por isso a música esteve ao nosso lado de todas as formas, relaxando, alegrando, suprindo a falta da família e dos amigos, fazendo companhia”, afirma.

Segundo a especialista, as músicas utilizadas na terapia devem ter frequências padronizadas de forma harmônica e podem ser somente instrumentais ou terem letra. Depois desse processo, sinapses cerebrais são ativadas na região do sistema límbico, que é encarregado de manifestar as emoções no corpo humano. Isso causa a liberação de hormônios que geram sensações de satisfação e felicidade. O objetivo é também trazer ao paciente a capacidade de expressar emoções por meio dos diferentes tipos de sons.

A musicoterapeuta diz ainda que é um tratamento processual, que leva tempo, e personalizado. “A música se comunica com o paciente de forma única, pois cada um traz consigo uma história sonora que vai se unir ao trabalho e que se difere de pessoa para pessoa.” O método é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2017 e também por convênios de saúde. Em tratamentos particulares, o preço de cada consulta é de cerca de R$ 150, segundo a especialista Maira Camargo.

Jéssica Toniolo, de 32 anos, que mora em Campinas, utiliza a musicoterapia toda semana para melhorar o problema auditivo do seu filho de 3 anos, Gabriel Toniolo, que sofre com zumbido no ouvido. Ela conta que essa complicação é tratada por meio da terapia de ruído branco, uma das técnicas musicoterapêuticas, que consiste em tornar a audição mais concentrada em um único som relaxante. “Isso faz que Gabriel consiga dar menos atenção ao zumbido durante o dia a dia”, conta.

Cícera Timbaúba do Carmo, de 78 anos, mora em Campinas, é aposentada e faz musicoterapia uma vez por semana, desde 2017.  Ela diz que a música é uma ótima alternativa para melhorar seus dias: “Quando eu estou triste, a música me faz ficar mais animada, principalmente neste momento de pandemia”, diz. Cícera recebe uma seleção de músicas pelo terapeuta e também disse que ouvir sua neta, Larissa Sousa, de 21 anos, cantando, contribui para ela reconhecer a importância das canções em sua vida. “A música já me ajudou a superar crises de ansiedade e depressão”, diz.

Orientação: Profa. Juliana Doretto

Edição: Beatriz Borghini

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