Em tempos de internet, a velha bula de medicamentos ainda é a mais confiável

Mediante pesquisa realizada em cinco regiões brasileiras, constatou-se que aproximadamente 40% das pessoas não leem a bula dos medicamentos. Diante do risco que isso oferece ao usuário do medicamento, conversamos com o médico e diretor financeiro da Associação Médica de Cascavel (AMC), Dr. André Kamchen. Para ele, é importante ler a bula dos remédios, porque lá há informações relevantes sobre o princípio ativo do medicamento, bem como a indicação das pessoas que não podem fazer uso do mesmo (gestantes, idosos e crianças, por exemplo) e prescrição sobre a faixa etária também. “A bula tem instruções de toda parte técnica do medicamento prescrito pelo médico ao paciente, inclusive a dose (posologia) e instruções necessárias para dar segurança sobre a medicação”, explica o médico.

Foto: Cesar Pillati

Dr. André Kamchen em entrevista com a revista Afeto

Quando questionamos o Dr. André sobre as facilidades que a internet oferece e qual a segurança, ele faz questão de frisar que a bula ainda é confiável em tempos de globalização. “O grande problema da internet é que ela não tem um filtro e qualquer um pode escrever o que quiser. Mas nós médicos sabemos em quais fontes confiar, algo científico, que nós estudamos. Sabemos quais são as grandes bibliotecas que podemos recorrer. E isso só um médico tem conhecimento. A população em geral desconhece. É por isso que a prescrição médica e a bula são tão importantes”, ressalta o Dr. Kamchen.
Embora a bula contenha explicações bastante técnicas, ela também traz informações compreensíveis aos leigos. “Há muitos termos médicos, mas há coisas que todos podem entender. Em caso de dúvida, é sempre bom conversar com o seu médico, afinal, ele conhece os efeitos colaterais que o medicamento pode causar”, salienta ele.

Outro questionamento que levantamos foi em relação ao uso pediátrico, ao que Dr. André, explica que o cuidado é sempre redobrado, pois as crianças têm doses específicas, mediante seu peso e sua idade. Nesse caso, os efeitos colaterais são potencializados. Dr. André, alerta ainda sobre o armazenamento. É importante procurar deixar os medicamentos fora do alcance das crianças.

Outra dúvida que buscamos esclarecer com o médico, foi sobre a questão da alergia aos corantes. Dr. André, nos diz que não é só no caso dos corantes, todo medicamento pode conter princípios que causem alergia, até podendo chegar a uma anafilaxia. “No caso dos corantes, especificamente, eles podem causar sim uma alergia importante ao paciente. Outro cuidado relevante é com xaropes e outros medicamentos adocicados que podem causar graves problemas para pessoas diabéticas. É muito importante ler a bula, pois lá se encontram todas as informações que podem trazem risco ao paciente”, finaliza o médico Dr. André Kamchen.