A importância da prevenção de doenças, não só se torna importante, como também é fundamental, uma vez que os números de casos estão ficando cada vez mais alarmantes

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Assim como em outros meses do ano em que são realizadas campanhas de prevenção, julho foi eleito o mês que visa à prevenção, diagnóstico precoce e ainda tratamento e reabilitação do câncer.

2019 é o terceiro ano de uma campanha realizada pela Associação de Câncer de Boca e Garganta – ACBG Brasil, com visão direta para a conscientização a respeito dos tumores de cabeça e pescoço, estes que atingem regiões como boca, língua, gengivas, bochechas, faringe, laringe, esôfago e tireoide.

A campanha com o tema “O câncer está na cara, mas às vezes você não vê!”, é estratégica e além de prevenir, informar o público é um dos principais objetivos, afinal, a doença pode acontecer com qualquer um, levando em consideração os fatores de risco que vivemos em nosso cotidiano, como por exemplo, o tabagismo, bebidas alcoólicas, não importando a quantidade ingerida, tampouco a sua periodicidade. Além das infecções pelo vírus HPV.

A importância do diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce se torna imprescindível, haja vista que na maioria das vezes, os tumores da região da cabeça e pescoço podem ser assintomáticos no início da doença, o que leva ao diagnóstico tardio. Sendo assim, se faz necessário realizar o diagnóstico nas lesões iniciais para que aumente a probabilidade de cura.

Segundo o doutor especialista na região de cabeça e pescoço, Hildebrando Nagai, existem várias formas de prevenir, começando, por exemplo, com o não fumar ou não beber. “Hábitos como estes, aceleram quase em 80% as chances de ter essa doença”. Além disso, o médico alerta sobre as razões de abordarmos sobre os fatores de risco, que estão presentes na vida dos brasileiros.

“Dentre os tumores malignos quando conseguimos fazer o diagnóstico precoce facilita muito, por isso a importância dessas campanhas de prevenção e o julho verde é um exemplo desses, então quando você tem um tumor. É feito o diagnóstico precocemente, o índice de cura é de até 90%”, explica o especialista. O autoexame é simples e pode ajudar significativamente a identificação de alterações, auxiliando na prevenção ou até mesmo a descobrir lesões iniciais. Ele consiste na inspeção visual e palpação, devendo ser realizada em frente ao espelho com boa iluminação. Sinais de alerta são, por exemplo, manchas brancas na boca, dor local, lesões com sangramento ou cicatrização demorada, nódulos no pescoço, mudança na voz e rouquidão e dificuldade para engolir.

O especialista
A especialidade de cirurgia de cabeça e pescoço é reconhecida pelo Conselho
Federal de Medicina. “Na verdade não existem muitos profissionais nesta área”, destaca Hildebrando Nagai.

É uma área da cirurgia que atende todos os tumores benignos e malignos que ficam na região da cabeça e pescoço, exceto cérebro que é uma área voltada à neurocirurgia.

“Atendemos tumores de boca, laringe, esôfago e cervical e também os
benignos de glândulas salivares, tiroidianos, bem como pacientes com anomalias congênitas, cistos branquiais, entre outros”, salienta.

Foto: Cesar Pillati

Dr. Hildebrando M. Nagai em seu consultório

O que dizem as estatísticas
Os números são alarmantes e assustadores. No Brasil, cerca de 41 mil novos casos surgem, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer. Há estimativa de que cerca de 15 mil novos casos de câncer na cavidade oral surjam por ano no país.

Já na região da laringe, estima-se oito mil novo casos, sendo que 97% dos diagnósticos são provenientes do tabagismo e ainda do consumo excessivo de álcool associado ao tabagismo, que aumenta ainda mais o risco.

Em pacientes jovens, a infecção pelo HPV (papilomavírus humano) tem ampliado o número de novos casos de orofaringe devido a prática do sexo oral sem preservativos.

Além disso, a utilização do narguilé e o consumo excessivo do álcool também têm correlação com o aumento do número de casos em jovens de 18 a 30 anos, ou seja, não há somente índices de indivíduos mais velhos que acometem essa doença.

Prevenção
A Associação de Câncer de Boca e Garganta, chamada ACBG, tem como principal iniciativa, a estimulação da prevenção do que chamam “boca a boca”, sendo um dos principais alvos da doença.

Além de campanhas de conscientização e informação, a urgência da implementação de políticas públicas vindas das autoridades de saúde, se torna extremamente urgente e necessário dentro do universo da saúde em todo o país.

Em um contexto de mais de 200 milhões de pessoas no Brasil, o percentual de pessoas que possuem riscos a desenvolver essa doença nos próximos anos, passa de 14 milhões de indivíduos.

Segundo levantamento do Inca, o câncer de boca, laringe e demais sítios é hoje o segundo mais frequente entre os homens, atrás somente do câncer de próstata. Nas mulheres, prepondera o câncer da tireoide, sendo o quinto mais comum entre elas.

Para Nagai, os tumores de cabeça e pescoço possuem uma denominação genérica do câncer que se localiza em regiões como boca, língua, palato mole e duro, gengivas, bochechas, amígdalas, faringe, laringe, esôfago, tireoide e seios paranasais.

O entrevistado

O doutor Hildebrando Massahiro Nagai, é graduado em medicina pela Universidade Federal do Paraná. Possui residência médica em Oncologia e é também especialista em cirurgia da cabeça e pescoço. Atua no Hospital de Câncer de Cascavel – UOPECCAN.